terça-feira, 6 de abril de 2010

Pedofilia...caberia uma reflexão melhor embasada?

Fala galera, beleza?

Reativando o blog este ano reuni uns artigos e dados e artigos sobre a “questão” da pedofilia e os Padres. Vale para refletir!
Fogão campeão já na Taça Rio!!!!

Vlw

Armandão

Pedofilia na Igreja? Só nela? E o meu amigo Polanski vai ser canonizado pela Comunidade Mediática? Seria Sir Polanski ou Saint Polanski?
Segue uns dados e um texto interessante que saiu na CNN sobre pedofilia na Igreja Católica (se puderem, retransmitam aos seus amigos e familiares), além de outros textos!

Números da pedofilia na Igreja: análise pé-no-chão.

No estudo de John Jay College of Criminal Justice, em 42 não foram condenados 54 padres. Nos EUA os padres e religiosos (monges, frades) são 110 mil.
No mesmo período, houve 6.000 condenações de professores de educação física e treinadores, declarados culpáveis por pedofilia nos tribunais dos EUA. São pessoas casadas. Não há, portanto, relação entre celibato e pedofilia.
Na Alemanha: desde 1995, são 94 casos de suspeita sob um total de 210 mil padres e religiosos. No mesmo período, há 210 mil casos de suspeita do mesmo delito por parte de todo tipo de pessoas da sociedade civil.
Na Irlanda, no sistema escolar, o Informe Ryan contabiliza, desde 1914, 1090 casos de violência (não só sexual, mas física e psicológica por todo tipo de pessoas). Os religiosos acusados de abuso sexual de meninos foram 23.
No mundo inteiro: 300 casos de pedofilia entre os sacerdotes num universo de 400 mil sacerdotes.

A crítica à Igreja Católica é injusta

BILL DONOHUE – especialmente para o CNN
19 de março de 2010.

A série de relatos sobre o abuso sexual de padres na Europa, especialmente na Irlanda e na Alemanha, colocou muitos católicos na defensiva. Não deveria ser assim. Embora o abuso sexual em qualquer de suas formas é indefensável, a política que se montou em torno desses relatos também o é.

Empregadores, dos mais variados tipos, tanto nos EUA como na Europa, têm sempre tratado supostos casos de abuso sexual como um assunto interno. Raramente, eles têm chamado a polícia e de nenhum deles se exigiu isso. Embora essa atitude com relação ao abuso sexual está mudando, qualquer discussão envolvendo abusos sexuais acontecidos há 30 e 40 anos, sempre foi tratada dessa forma. Por isso não é de estranhar que o Cardeal Sean Brady da Irlanda não tenha chamado as autoridades no caso de um padre nos anos 70. O que é de estranhar é o fato de alguns o acusarem agora, como se a sua reação tivesse sido uma exceção à regra.

A indignação seletiva contra a Igreja Católica não se restringe a Brady. Por que, por exemplo, os psicólogos e psiquiatras, que garantiram “curar” os transgressores, são tratados de maneira tão light? Afinal, tanto os empregadores do mundo corporativo como a Igreja Católica eram reiteradamente informados de que a terapia funcionava e que deveriam dar ao transgressor uma segunda chance.

Na realidade, afirmava-se na época que a recuperação não apenas funcionava, mas era um ato necessário e virtuoso. Que esse tipo de atitude representou um grandíssimo exagero é, só agora, opinião corrente. E é precisamente nessa negação agora de quão forte e universalmente aceito tinha sido esse ideal de recuperação, que se nota o aspecto político da onda atual. Se a Igreja Católica tivesse simplesmente expulso os transgressores, teria sido considerada cruel, sem coração e desalmada.

Faz-se agora também muito barulho em torno do Cardeal Joseph Ratzinger – atualmente Papa - por ter aprovado o envio de um padre de sua arquidiocese para tratamento. Isso ocorreu 30 anos atrás. Ele fez, sublinhamos de novo, exatamente o que qualquer autoridade religiosa ou leiga fazia naquele anos.

Qualquer pessoa que afirme de que nos EEUU ou na Europa, era comum que empregadores – não pertencentes à Igreja Católica – denunciassem criminalmente os seus supostos empregados transgressores, deveria calar a boca.

Além das questões acima levantadas, o foco sobre abuso sexual na Igreja está radicalmente desproporcional ao que a mídia dedica ao abuso sexual de menores quando cometidas por religiosos não católicos. De acordo com um relatório do New York Times de outubro, o promotor público do bairro de Brooklyn entrou na justiça com a queixa-crime de 26 casos de abuso sexual envolvendo a ultra-ortodoxa comunidade judaica.

Justo este mês, o Rabino Baruch Lebovits foi condenado por ter abusado sexualmente oito vezes de um menino de Brooklyn. Todavia, o NYT que publicou vários artigos sobre abusos sexuais cometidos décadas atrás na Irlanda e na Alemanha, não escreveu sobre isso sequer uma palavra. E, se publicados, nunca teriam uma cobertura tão extensa como é dada aos casos envolvendo sacerdotes católicos.

Professores da rede pública acusados de abuso sexual são transferidos para escolas de outra comunidade – isso é tão comum que leva o nome de “transferindo o lixo” – ou ficam restritos a funções burocráticas. Tanto os sindicatos de professores como a lei estadual permitem que isso continue. Se a mídia se concentrasse nesse problema, quem sabe, as soluções apareceriam. Mas conhecendo a prática atual, isso é pouco provável. É mais bacana crucificar a Igreja Católica.

Essa hiper-concentração na Igreja Católica não é acidental. A Igreja prega a ética da castidade – uma ideia profundamente contracultural – então se um sacerdote cai é grande a tentação de lançar sobre isso a poderosa luz dos holofotes. Conhecendo a natureza humana, isso é compreensível. Mas também é imoral. Convenhamos, se o abuso sexual é iníquo, então não deveria fazer diferença qual é a identidade do transgressor. A justiça seletiva é a forma mais radical de injustiça.

Igreja - informação versus campanha
05 de abril de 2010 | 0h 00
CARLOS ALBERTO DI FRANCO - O Estado de S.Paulo
A imprensa brasileira tem noticiado a respeito da crise que fustiga a Igreja Católica com razoável serenidade e equilíbrio. Os casos de abuso sexual protagonizados por clérigos são, de fato, matéria jornalística inescapável. O que me impressiona, e muito, é a perda do sentido informativo e o inequívoco tom de campanha assumido por alguns jornais norte-americanos.

Infelizmente, os casos reais de abuso sexual, ocorridos nas últimas décadas, mesmo que tenham sido menos numerosos do que fazem supor certas reportagens, são inescusáveis. Nada pode justificar nem atenuar crimes abomináveis como o estupro e a pedofilia. Um só caso de pedofilia, praticado na Igreja Católica por um padre, um religioso ou uma religiosa, é sempre demais, é inqualificável.
Mas jornalismo não pode ser campanha. Devemos, sem engajamentos ou editorialização da notícia, trabalhar com fatos. Só isso nos engrandece. Só isso dá ao nosso ofício credibilidade e prestígio social. Pois bem, amigo leitor, vamos aos fatos.
O Vaticano recebeu 3 mil denúncias de abuso sexual praticado por sacerdotes nos últimos 50 anos. Segundo monsenhor Scicluna, chefe da comissão da Santa Sé para apuração dos delitos, 60% dos casos estão relacionados com práticas homossexuais, 30% com relações heterossexuais e 10% dos casos podem ser enquadrados como crimes de pedofilia. Os números reais de casos de pedofilia na Igreja são, portanto, muito menores.
Os abusos têm sido marcadamente de caráter homossexual e refletem um grave problema de idoneidade para o exercício do sacerdócio. Afinal, uma instituição que há séculos defende o celibato sacerdotal tem o direito de estabelecer os seus critérios de idoneidade, o seu manual de instruções para a seleção de candidatos. Quem entra sabe a que veio. É tudo muito transparente. Quem assume o compromisso o faz livremente. O que não dá, por óbvio, é para ficar com um pé em cada canoa. E foi exatamente isso o que aconteceu. A Igreja está enfrentando as consequências de anos e anos de descuido, covardia e negligência dos bispos na seleção e formação do clero.
Philip Jenkins, um especialista não católico de grande prestígio, publicou o estudo mais sério sobre a crise. Pedophiles and Priests: Anatomy of a Contemporary Crisis (Oxford, 214 págs.) é o mais exaustivo estudo sobre os escândalos sexuais que sacudiram a Igreja Católica nos Estados Unidos durante a década de 1990. Segundo Jenkins, mais de 90% dos padres católicos envolvidos com abusos sexuais são homossexuais. O problema, portanto, não foi ocasionado pelo celibato, mas por notável tolerância com o homossexualismo, sobretudo nos seminários dos anos 70, quando foram ordenados os predadores sexuais que sacudiram a credibilidade da Igreja.
O autor não nega o óbvio: que existiram graves desvios; e, mais, que os bispos fracassaram no combate aos delitos. Jenkins, no entanto, mostra como os crimes foram amplificados com o objetivo de desacreditar a Igreja. A análise isenta dos números confirma essa percepção. Na Alemanha, por exemplo, existiram, desde 1995, 210 mil denúncias de abusos. Dessas 210 mil, 300 estavam ligadas a padres católicos, menos de 0,2%. Por que só as 300 denúncias contra a Igreja repercutem? E as outras 209 mil denúncias? Trata-se, sem dúvida, de um escândalo seletivo.
As interpretações e as manchetes, em tom de campanha, não batem com o rigor dos fatos. Vamos a um exemplo local. Reportagem publicada no jornal O Estado de S. Paulo, de 18/5/2009, página C4, abria com o seguinte título: Triplica o número de vítimas de abuso atendidas nas zonas sul e leste. E acrescentava ao título: Desde outubro, a média de novos casos passou de dez por mês para um por dia. Mesmo que o estudo se cinja às zonas leste e sul da cidade de São Paulo, por somarem milhões de habitantes, não deixa de ser uma amostra muito expressiva.
Trata-se de uma pesquisa realizada por várias ONGs de provada seriedade. Aponta como "novidade desconcertante" o fato de que "pais biológicos são a maioria entre agressores e, agora, avós também começam a aparecer neste grupo". No elenco da Rede Criança de Combate à Violência Doméstica, todos ou a quase totalidade dos agressores sexuais são casados. Por que então o empenho em fazer crer que os principais protagonistas de abusos sexuais são padres, e em atribuir a causa dos crimes ao seu compromisso celibatário?
Tentou-se, recentemente, atingir o próprio papa. Como lembrou John Allen, conhecido vaticanista e autor do livro The Rise of Benedict XVI, em recente artigo no The New York Times, o papa fez da punição aos casos de abuso uma prioridade de seu pontificado. "Um de seus primeiros atos foi submeter à disciplina dois clérigos importantes contra os quais pesavam denúncias de abuso sexual há décadas, mas que tinham sido protegidos em níveis bastante altos. Ele também foi o primeiro papa da história que tratou abertamente da crise." Bento XVI tem sido, de fato, firme e contundente.
Em recente carta ao Corriere della Sera, o senador italiano Marcello Pera, um laico no mais genuíno sentido italiano da palavra, assumiu a defesa do papa e foi ao cerne da polêmica. "Desencadeou-se uma guerra. Não propriamente contra a pessoa do papa, pois seria inviável. Bento XVI tornou-se invulnerável por sua imagem, sua serenidade, sua clareza e firmeza." A guerra continuará, "entre outras razões, porque um papa como Bento XVI, que sorri, mas não retrocede um milímetro, alimenta o embate".
Precisamos informar com o rigor dos fatos. Mas devemos, sobretudo, entender o que se esconde por trás de algumas manchetes e de certas interpretações.

DOUTOR EM COMUNICAÇÃO PELA UNIVERSIDADE DE NAVARRA, PROFESSOR DE ÉTICA, É DIRETOR DO MASTER EM JORNALISMO (WWW.MASTEREMJORNALISMO.ORG.BR) E DA DI FRANCO - CONSULTORIA EM ESTRATÉGIA DE MÍDIA (WWW.CONSULTORADIFRANCO.COM) E-MAIL: DIFRANCO@IICS.ORG.BR

Padres pedófilos: um pânico moral
Por Massimo Introvigne
Por que se volta a falar de padres pedófilos, com acusações que se referem à Alemanha, a pessoas próximas ao Papa e agora até mesmo ao próprio Papa? Será que a sociologia tem algo a dizer a respeito ou deve deixar o caminho livre para os jornalistas? Creio que a sociologia tem muito a dizer, e que não deve ficar quieta por medo de desagradar este ou aquele. A discussão atual sobre padres pedófilos – considerada do ponto de vista sociológico – representa um exemplo típico de “pânico moral”. O conceito nasceu nos anos 1970 para explicar como alguns problemas são objeto de uma “hiperconstrução social”. Mais precisamente, os pânicos morais foram definidos como problemas socialmente construídos, caracterizados por uma amplificação sistemática dos dados reais, seja na exposição midiática, seja na discussão política. Duas outras características foram mencionadas como típicas dos pânicos morais. Em primeiro lugar, problemas sociais que existem há décadas são reconstruídos na narrativa midiática e política como “novos”, ou como objeto de um suposto e dramático crescimento recente. Em segundo lugar, a sua incidência é exagerada por estatísticas folclóricas que, mesmo não confirmadas por estudos acadêmicos, são repetidas pelos meios de comunicação e podem suscitar campanhas midiáticas persistentes. Philip Jenkins assinalou o papel dos “empreendedores morais” – cujas agendas nem sempre são declaradas – na criação e gestão dos pânicos. Os pânicos morais não fazem bem a ninguém. Eles distorcem a percepção dos problemas e comprometem a eficácia das medidas que deveriam resolvê-los. Uma análise errada não pode produzir senão uma intervenção errada. Que fique claro: os pânicos morais têm na sua origem circunstâncias objetivas e perigos reais. Não inventam a existência de um problema, mas exageram suas dimensões estatísticas. Numa série de valiosos estudos, o mesmo Jenkins mostrou como a questão dos padres pedófilos talvez seja o exemplo mais típico de um pânico moral. Estão presentes de fato os dois elementos característicos: um dado real na origem, e uma exageração desse dado por obra de ambíguos “empreendedores morais”. Primeiro, o dado real na origem: existem padres pedófilos. Alguns casos são ao mesmo tempo desconcertantes e repugnantes, foram objeto de condenações definitivas e os próprios acusados nunca se disseram inocentes. Estes casos – nos EUA, na Irlanda, na Austrália – explicam as severas palavras do Papa e o seu pedido de perdão às vítimas. Mesmo se os casos fossem apenas dois – e, infelizmente, são muitos – isto já seria demais. Mas já que pedir perdão – apesar de nobre e oportuno – não basta, sendo necessário evitar que os casos se repitam, não é indiferente saber se os casos são dois, duzentos ou vinte mil. E tampouco é irrelevante saber se o número de casos entre sacerdotes e religiosos católicos é mais ou menos numeroso do que entre outras categorias de pessoas. Os sociólogos frequentemente são acusados de trabalhar sobre números frios, esquecendo que por trás de cada número há um caso humano. Mas os números, embora não sejam suficientes, são necessários. São o pressuposto de toda análise adequada. Para entender como de um dado tragicamente real se passou a um pânico moral é necessário saber quantos são os padres pedófilos. Os dados mais amplos foram coletados nos EUA, onde, em 2004, a Conferência Episcopal encomendou um estudo independente ao John Jay College of Criminal Justice da City University of New York, que não é uma universidade católica e é unanimemente econhecida como a mais autorizada instituição acadêmica dos EUA em matéria de criminologia. Esse estudo nos diz que de 1950 a 2002, num universo de 109.000, 4.392 sacerdotes americanos foram acusados de ter relações sexuais com menores. Desses, pouco mais de uma centena foram condenados por tribunais civis. O baixo número de condenações por parte do Estado deriva de diversos fatores. Em alguns casos as verdadeiras ou supostas vítimas denunciaram sacerdotes já mortos, ou foram consumados os prazos de prescrição. Em outros, à acusação e à condenação canônicas não corresponde nenhuma violação a qualquer lei civil: é o caso, por exemplo, em diversos Estados americanos, do sacerdote que tinha uma relação consensual com uma – ou mesmo um – menor com mais de 16 anos. Mas também aconteceram muitos casos clamorosos de sacerdotes inocentes acusados. Esses casos foram multiplicados nos anos 1990, quando alguns escritórios de advocacia perceberam que poderiam obter transações milionárias com base em meras suspeitas. Os apelos à “tolerância zero” são justificados, mas também não deveria haver qualquer tolerância com quem calunia sacerdotes inocentes. Acrescento que em relação aos EUA as cifras não se alterariam de forma significativa se somássemos o período 2002-2010, pois o estudo feito pelo John Jay College já observava o “declínio claríssimo” dos casos no ano 2000. Os novos inquéritos são poucos, e as condenações pouquíssimas, graças a medidas rigorosas introduzidas seja pelos bispos americanos, seja pela Santa Sé. O estudo do John Jay College nos diz que quatro por cento dos sacerdotes americanos são pedófilos? De modo algum. Segundo aquela pesquisa, 78,2% das acusações se referiam a menores que haviam superado a puberdade. Manter relação sexual com uma menina de 17 anos não é certamente “una bella cosa”, muito menos para um padre: mas não se trata de pedofilia. Portanto, ao longo de cinqüenta e dois anos, os sacerdotes acusados de pedofilia nos EUA são 958, dezoito por ano. As condenações foram 54, pouco mais de uma por ano. O número de condenações penais de sacerdotes e religiosos em outros países é parecido, embora em nenhum país se disponha de um estudo completo como aquele feito pelo John Jay College. Cita-se frequentemente uma série de relatórios governamentais na Irlanda que definem como “endêmica” a presença de abusos nas escolas e nos orfanatos (masculinos) administrados por algumas dioceses e ordens religiosas, e não há dúvida de que casos muito graves de abusos sexuais de menores nesse país realmente aconteceram. O exame sistemático desses relatórios mostra, ademais, como muitas acusações se referem ao uso de meios de correção excessivos ou violentos. O assim chamado Relatório Ryan de 2009 – que usa uma linguagem muito dura em relação à Igreja Católica – reporta, no período que investiga, a partir de um universo de 25.000 alunos de escolas, reformatórios e orfanatos, 253 acusações de abusos sexuais de meninos e 128 de meninas, nem todos atribuídos a sacerdotes, religiosos ou religiosas, de diversa natureza e gravidade, raramente referidos a menores impúberes e que, ainda mais raramente, levaram a condenações. As polêmicas dessas últimas semanas sobre a Alemanha e a Áustria exibem uma característica típica dos pânicos morais: apresentam-se como “novos” fatos que aconteceram há muitos anos ou são – em alguns casos há mais de 30 anos – já conhecidos em parte. O fato de se noticiarem na primeira página dos jornais – com uma particular insistência no que toca à área geográfica da Bavária, de onde vem o Papa – ocorrências dos anos 1980, como se houvessem ocorrido ontem; e de se suscitarem polêmicas violentas, com um ataque concêntrico que anuncia todo dia, em estilo escandaloso, novas “descobertas”, mostra bem como o pânico moral é promovido por “empreendedores morais” de forma organizada e sistemática. O caso que – como alguns jornais publicaram – “envolve o Papa” é um exemplo de manual escolar: refere-se a um episódio de abusos na Arquidiocese de Munique, da qual era arcebispo o atual Pontífice, que remonta a 1980. O caso veio à tona em 1985 e foi julgado por um tribunal alemão em 1986; no julgamento ficou provado, entre outras coisas, que a decisão de acolher na arquidiocese o sacerdote em questão não foi tomada pelo cardeal Ratzinger e não era sequer do seu conhecimento, o que não admira numa grande diocese com uma burocracia complexa. Por que um jornal alemão decide exumar esse caso e publicá-lo na primeira página vinte e quatro anos depois da sentença, isto, sim, deveria ser a verdadeira questão. Uma pergunta desagradável (...), mas importante, é se ser um padre católico é uma condição que comporta um risco de se tornar pedófilo ou de abusar sexualmente de menores (como se viu, as duas coisas não coincidem, pois quem abusa de uma menina de dezesseis anos não é um pedófilo) mais elevado em relação ao resto da população. Responder a essa pergunta é fundamental para descobrir as causas do fenômeno e assim preveni-lo. Segundo os estudos de Jenkins, se se compara a Igreja Católica dos EUA às principais denominações protestantes se descobre que a presença de pedófilos é – dependendo das denominações – de duas a dez vezes mais alta entre os pastores protestantes do que entre padres católicos. A questão é relevante porque mostra que o problema não é o celibato: a maior parte dos pastores protestantes é casada. No mesmo período em que uma centena de sacerdotes americanos era condenada por abuso sexual de menores, o número de professores de educação física e técnicos de equipes esportivas juvenis – também esses em sua maioria casados – julgados culpados do mesmo delito pelos tribunais americanos atingia os seis mil. Os exemplos poderiam continuar, não só nos EUA. E, sobretudo, segundo os relatórios periódicos do governo americano, cerca de dois terços das doenças sexuais de menores não são transmitidas por estranhos ou professores – incluindo padres e pastores protestantes – mas por familiares: padrastos, tios, primos, irmãos e infelizmente também pais. Dados semelhantes existem em muitos outros países. Embora seja pouco politicamente correto dizer isto, há um dado que é muito significativo: mais de oitenta por cento dos pedófilos são homossexuais, machos que abusam de outros machos. E – para citar ainda uma vez Jenkins – mais de noventa por cento dos sacerdotes católicos condenados por abuso sexual de menores e pedofilia são homossexuais. Se na Igreja Católica houve de fato um problema, este não foi o celibato, mas uma certa tolerância em relação ao homossexualismo nos seminários, particularmente nos anos 1970, quando foi ordenada a grande maioria de sacerdotes posteriormente condenados pelos abusos. É um problema que Bento XVI está corrigindo vigorosamente. O retorno à moral, à disciplina ascética, à meditação sobre a verdadeira, a grande natureza do sacerdócio são o antídoto definitivo contra as tragédias reais da pedofilia. Também para isso deve servir o Ano Sacerdotal. Quanto a 2006 – quando a BBC colocou no ar o lixo-documentário do parlamentar irlandês e ativista homossexual Colm O’Gorman – e 2007 – quando [Michele] Santoro veiculou a versão italiana em Annozero [programa televisivo da RAI] – não há, na verdade, muito de novo, exceto a crescente severidade e vigilância da Igreja. Os casos dolorosos de que se fala nestas últimas semanas nem sempre são inventados, mas aconteceram há mais de vinte ou trinta anos. Ou, talvez, exista algo de novo. Por que exumar em 2010 casos velhos ou muito frequentemente já conhecidos, ao ritmo de um por dia, atacando cada vez mais diretamente o Papa – um ataque, ademais, paradoxal, se se considera a grande severidade do cardeal Ratzinger, primeiro, e de Bento XVI, depois, em relação a esse tema? Os “empreendedores morais” que organizam o pânico têm uma agenda que se revela sempre mais claramente, e que nada tem a ver com a efetiva proteção das crianças. A leitura de certos artigos nos mostra como – às vésperas de decisões políticas, judiciais e também eleitorais, por toda Europa e no mundo, sobre temas como a utilização da pílula RU486, a eutanásia, o reconhecimento das uniões homossexuais, em que a voz da Igreja e do Papa se ergue, quase isolada, na defesa da vida e da família – lobbies muito poderosos tentam desqualificar preventivamente essa voz com a acusação mais infamante e, hoje, infelizmente, também mais fácil: a de favorecer ou tolerar a pedofilia. Estes lobbies mais ou menos maçônicos manifestam o poder sinistro da tecnocracia, evocado pelo próprio Bento XVI na encíclica Caritas in Veritate e a denúncia de João Paulo II, na mensagem da Jornada Mundial da Paz de 1985 (de 8.12.1984), a propósito das “intenções ocultas” – ao lado de outras “abertamente propagandeadas” – “voltadas a subjugar todos os povos a regimes nos quais Deus não importa”. De fato, esta é uma hora de trevas, que traz à mente a profecia de um grande pensador católico do século XIX, Emiliano Avogadro della Motta (1798-1865), segundo o qual às ruínas deixadas pela ideologia laicista se seguiria uma autêntica “demonolatria” que se manifestaria particularmente no ataque à família e à verdadeira noção do matrimônio. Restabelecer a verdade sociológica sobre pânicos morais em tema de padres e pedofilia por si só não resolve os problemas e não paralisa o lobby, mas pode constituir ao menos uma pequena e devida homenagem à grandeza de um Pontífice e de uma Igreja feridos e caluniados por não se resignarem a calar sobre a vida e a família.
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Massimo Introvigne é sociólogo italiano. O texto original está no site do CESNUR - Centro Studi sulle Nuove Religioni (http://www.cesnur.org/2010/mi_preti_pedofili.html).
Traduzido por Miguel Nagib.

domingo, 24 de janeiro de 2010

BRASILEIRO RECLAMA DO QUÊ?

ffala Galera, tudo bem?

Recebi esse email muito interessante de um amigo (cujo autor não consegui desccobrir), que decidi repassar pois se trata de um comportamento do brasileiro médio, em que por vezes incorremos em um ou outro dos pontos elencados!

Abs

Armandão

Texto: BRASILEIRO RECLAMA DE QUÊ?

Autor: recebi de um amigo um email já a ele repassado, cujo remetente original provém de endereço eletrônico desconhecido.

“Tá reclamando do Wellington Salgado? Do Sarney? Do Collor? Do Renan? Do
Palocci? Do Jucá? Do sapo barbudo? Do Kassab? Do Arruda?



O brasileiro é assim:

1. - Saqueia cargas de veículos acidentados nas estradas.

2. - Estaciona nas calçadas, muitas vezes debaixo de placas proibitivas.

3. - Suborna ou tenta subornar quando é pego cometendo infração.

4. - Troca voto por qualquer coisa: areia, cimento,tijolo, dentadura.

5. - Fala no celular enquanto dirige.

6. -Trafega pela direita nos acostamentos num congestionamento.

7. - Para em filas duplas, triplas em frente às escolas.

8. - Viola a lei do silêncio.

9. - Dirige após consumir bebida alcoólica.

10. - Fura filas nos bancos, utilizando-se das mais esfarrapadas desculpas.

11. - Espalha mesas, churrasqueira nas calçadas.

12. - Pega atestados médicos sem estar doente, só para faltar ao trabalho.

13. - Faz " gato " de luz, de água e de tv a cabo.

14. - Registra imóveis no cartório num valor abaixo do comprado, muitas vezes irrisórios, só para pagar menos impostos.

15. - Compra recibo para abater na declaração do imposto de renda para pagar menos imposto.

16. - Muda a cor da pele para ingressar na universidade através do sistema de cotas.

17. - Quando viaja a serviço pela empresa, se o almoço custou R$10 pede nota fiscal de R$20.
18. - Comercializa objetos doados nessas campanhas de catástrofes.

19. - Estaciona em vagas exclusivas para deficientes.

20. - Adultera o velocímetro do carro para vendê-lo como se fosse pouco rodado.

21. - Compra produtos pirata com a plena consciência de que são pirata.

22. - Substitui o catalisador do carro por um que só tem a casca.

23. - Diminui a idade do filho para que este passe por baixo da roleta do ônibus, sem pagar a passagem.

24. - Emplaca o carro fora do seu domicílio para pagar menos IPVA.

25. - Freqüenta os caça-níqueis e faz uma fezinha no jogo de bicho.

26. - Leva das empresas onde trabalha, pequenos objetos como clipes, envelopes, canetas, lápis... como se isso não fosse roubo.

27. - Comercializa os vales-transporte e vales-refeição que recebe das empresas onde trabalha.

28. - Falsifica tudo, tudo mesmo... só não falsifica aquilo que ainda não foi inventado.

29. - Quando volta do exterior, nunca diz a verdade quando fiscal aduaneiro pergunta o que traz na bagagem.

30. - Quando encontra algum objeto perdido, na maioria das vezes não devolve.

E quer que os políticos sejam honestos...

Escandaliza-se com a farra das passagens aéreas...

Esses políticos que aí estão saíram do meio desse mesmo povo não ou não?

Brasileiro reclama de quê, afinal?


Conclusão: E é a mais pura verdade, isso que é o pior! Então sugiro adotarmos uma mudança de comportamento, começando por nós mesmos, onde for necessário!

Vamos dar o bom exemplo!

Espalhe essa idéia!

Fala-se tanto da necessidade deixar um planeta melhor para os nossos filhos e esquece-se da urgência de deixarmos filhos melhores (educados, honestos, dignos, éticos, responsáveis) nosso planeta, através dos nossos exemplos”.


Comentários: Fernando Teixeira, Eng. Naval POLI-USP

“Amigos!

É um dos e-mails mais verdadeiros que recebi!

A mudança deve começar dentro de nós, nossas casas, nossos valores, nossas atitudes!”

COMENTÁRIO DO AUTOR DO BLOG: ASSINO EM BAIXO!!!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Tempo de recomeçar!

Fala rapaziada, tá um calor do carvalho!

Segue uma primeira postagem do ano para tentar diminuir o efeito do calor!

abs

Armandão

Espantando o velho

Estava eu a caminhar hoje em direção ao meu itinerário preferido o Forte da Urca... Disse cá pro meus botões: trote de velho até o forte...demorou! Vamô nessa! Tem dias assim comigo: nem com reza braba adianta! Só consigo melhorar a forçar de passear o “veio” e cansá-lo para poder dormir à noite... quando o calor aqui do Rio deixa!

O pior de ficar velho não é a situação em si, própria da condição humana. A pior parte é não aceitar as limitações e querer dar uma de que “você ainda pode garotão!”. Outro sintoma de senilidade é querer que o mundo reconheça a sua importância: “afinal no passado eu fiz esta contribuição”, “sugeri aquela mudança que resultou num incremento de produção de 70%”, “escrevi um livro que é referência ainda hoje” e poder-se-ia desfiar a uma grande ladainha da autocontemplação e da autocompaixão – duas doenças que precedem à esquizofrenia!

Mas o que mata mesmo é LEVAR-SE À SÉRIO! “No ano tal fulano levantou o dedo pra mim e isso não fica assim! Eu perdôo, mas não esqueço, tome tento”! Resultado: NÃO SE PERDOOU NADA NEM A NINGUÉM! “Em 1992 eu fui despedido injustamente”; “Em 17/05/2003 sofri aquela desconsideração daquele parente - justo no dia do meu aniversário”...(esse é um veneno mortal conhecido pelo nome técnico de orgulho, que costuma andar de mãos dadas com a vingança, dando voltas e voltas pela praia da amargura!).

Como dizia um velho médico amigo, muito sabiamente: “Dá pra cuspir quadrado? Então esquece o passado!”. De fato, é um pouco virulento e grosso, mas só assim é que consigo tirar um pouco da “peninha do próprio eu” – esse câncer que tenta me corroer por dentro! Vá de retro Satanás! Autocompaixão é a PQP!

Não se leve muito a sério; compreenda que os outros na maior parte das vezes, querendo acertar, também falham e justamente conosco (assim como nós falhamos com eles, também querendo fazer o certo metemos os pés pelas mãos, falamos o que não devíamos,passamos do ponto, fizemos um barraco por nada...). Outro dia li a definição de homem dado por um filósofo espanhol: o homem por si é um ser carente! De fato, precisamos dos outros mais do nunca na infância e na velhice. Queremos mostrar uma certa autosuficiência na juventude e na maturidade quando temos “força” e “dinheiro”. O homem/mulher adora de ser chamado de self made man! Que adianta ter dinheiro, poder viajar para onde quiser, “entrar no restaurante e não olhar pro lado direito do cardápio – eu posso pedir o que quiser – e não ter amigos e não ter família”! Na primeira doencinha a nossa fortaleza se desmonta! Na primeira crise financeira mais séria, como a última de setembro de 2008, as nossa finanças vão para o saco!

A vida é curta, mas pode ser muito boa! Para terminar cito umas frases de um velho samba do Nelson Cavaquinho:

“Me dê seu sorriso na vida,
O carinho e a mão amiga,
Para aliviar meus aís,
Depois, quando eu me chamar saudade,
Não preciso de vaidade,
Quero preces e nada mais!”

Comece a valorizar-se valorizando e perdoando os teus mais próximos!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Fim do Ano de 2009

Fala Galera, tranquilidade?

Segue uma cronicazinha para fechar o ano de 2009! Grande 2010!

Abs

Armandão

Vesti uma camisa listrada e saí por aí

Tava terminando o ano de 2009 e começou a bater um baixo astral de lascar: perdi cabelo, engordei 10 quilos, dpc (depressão pós calculo - tomei pau em cálculo 4 pela terceira vez), zero bala na account, minha mãe torrando as paciências pra passar o fim de ano na casa da Nona em São Fidelis...

Foi um ano desses brabos! Colocando os óculos escuros do pessimismo, eu estava vendo a bancarrota pessoal. Possibilidade de efetivação no estágio ínfima, depois de discutir tolamente com o chefe...

Foi aí que me lembrei de um samba de breque antigo do Moreira da Silva que dizia: “Vesti uma camisa listrada e saí por aí”! Peguei uma camisa surrada da Portela, azul desbotada e branca, e resolvi dar uma volta pelo Aterro e curtir um pouco o sol.

Descendo no elevador dei de cara com a Tereza, enfermeira do Carlinhos, e o próprio em cadeira de rodas, um engenheiro aposentado precocemente da Petrobras, após um acidente de carro. Ele está meio fora de jogo e nem consegue falar, mas sorriu ao ver-me antes de entrar no seu mundo pessoal. Aquilo foi um aguilhão para mim. Afinal, não estou nenhum Apolo, mas os meus achaques estão sob controle! O elevador chegou ao térreo e despedi da moça desejando um bom 2010.

Ia cruzando a Paissandu com a Senador Vergueiro e encontrei o seu Gaetano – dono da ex-famosa falida casa de doces Suprema -, um italiano bem humorado que estava tentando recomeçar os negócios. “Che se poi fare bambino? La vita é cosi”!- disse-me em tom jocoso, enquanto desfrutava de um cornetto, sem maiores cerimônias. Finalizou com o clássico “ciao” e foi indo em direção da sua casa na Barão do Flamengo. Pensei cá comigo: “pelo menos as coisas lá em casa não estão tão ruins, meu pai ta há mais de 10 anos na mesma empresa e este ano foi promovido a gerente”!

O meu estado de ânimo já estava começando a melhorar, quando principiou a dar cambalhotas! Avistei o Herriot, um sujeito maneiríssimo da UFRJ, pra quem nunca tem tempo ruim e que sempre tem uma piada divertida na ponta da língua! Aliás, várias, quando ele começa é difícil parar! Não se pode estar infeliz ao seu lado! Resolvemos tomar uma vitamina C (cevada da boa) o que definitivamente levantou o moral da tropa!
Pena que ele estava meio com pressa e a dose teve que ser abreviada. Mas valeu!

Tomei a pista em direção a Botafogo. Ao chegar ao fim da pista, fiz umas barras e bati o meu recorde: 6 consecutivas! Para um 4.5 cilindradas não está tão mau! Decidi dar então uma corridinha, trote de coroa, mas cheguei até o forte da Urca! Ah muluque safado! Desse jeito vou correr a “maratoma” de Blumenau - no próximo Oktober Fest!

Chegando em casa de espírito renovado, fui abrir o email e li a mensagem: segunda chamada de cálculo 4 dia 10/02/2010, somente para formandos! Dei um beijo na velha, que não entendeu muito a minha reação e fui pra São Fidelis sem queixumes! Pelo menos a Nona faz um gnochi com braciola de lamber os beiços!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

London Time Conference December 2009






Hi everybody, what's up?

I was in London recently and I met nice people there, although I felt a little like Caetano Veloso’s feelings when he has withdrawal to the Brazilian scene in the sixties, due to his politics opinion against the former government at that time and had to live in London for few years. Do you remember the old song? Below you will find out its lyric and the guitar positions:

Singer and compositor: Caetano Veloso (1971)
Music: London, London
Guitar Positions: D A/C# Bm A

D A D
I'm wandering round and round, nowhere to go
G A D
I'm lonely in London, London is lovely so
G A
I cross the streets without fear
D Bm
Everybody keeps the way clear
G A D
I know I know no one here to say hello
G A
I know they keep the way clear
D Bm
I am lonely in London without fear
G A D
I'm wandering round and round, nowhere to go

G A G A D
Chorus: While my eyes go looking for flying saucers in the sky (2x)

D A D
Oh Sunday, Monday, Autumn pass by me
G A D
And people hurry on so peacefully
G A
A group approaches a policeman
D Bm
He seems so pleased to please them
G A D
It's good to live, at least, and I agree
G A
He seems so pleased, at least
D Bm
And it's so good to live in peace
G A D
And Sunday, Monday, years, and I agree

G A G A D
Chorus: While my eyes go looking for flying saucers in the sky (2x)
D A D
I choose no face to look at, choose no way
G A D
I just happen to be here, and it's ok
G A
Green grass, blue eyes, grey sky
2x D Bm
God bless silent pain and happiness
G A D
I came around to say yes, and I say

G A G A D
Chorus: While my eyes go looking for flying saucers in the sky

See some photos:


Having in mind all the Brazilians problems and challenges (poverty, violence, GDP -Gross Domestic Product- bad sharing and so on),THAT MUST BE CHANGED BY US, please keep in mind: Brazil is a God’s gift! You see very poor people in the street smiling (even if they do not have no food), black and white living together in peace even getting marry (nevertheless people from the left side are claiming for racism here, mainly the guys from Workers’ Party wish to introduce it with the “politically correct” way of life terms… which seems ridiculous), Jew and Muslim friendship relations (I testified it in my University), Natural Beauty etc etc etc

Which is much remarkable for conscious Brazilians is the foreign admiration that our President Mr. Lula (a ignorant proud to be not educated and with the luck in his side, considering the good economic wave he has surfed, no merit to him except to maintain the former President Cardoso’s economic formula) has caught from Europe and USA. But let’s forget this fool!

We have too much too much to learn with English people (education, organization, proactive ness attitude, work capacity etc) but they in the same manner could learn too much from our way of life!

Let’s play the game together!

Amplexus,

Big Armando

sábado, 19 de dezembro de 2009

Proximidade do Natal

Fala Galera, tudo beleza?

Chegando perto do Natal, a gente amolece, até esqueça do penta roubado ganho pelo urubu!

O Natal é sempre uma oportunidade de descobrirmos quem é o verdadeiro homenageado: Cristo, que desde a gruta de Belém nos dá uma grande lição de humildade!

Para aqueles que estão começando agora sua vida profissional seguem uns conselhos de um inglês amigo meu (Jonny Due)Ah muluque!

Feliz Natal e grande 2010!

Give it up is too easy, requiring no additional efforts only been accompanied by the self-pity, which in many circumstances is equivalent to the personal proud! Do not forget: many people like your family, your best friends and even your enemies strongly depending on your tuff! Struggle till the battle deadline! After the bullets of self-confident are finished begins the real war bayonet by bayonet, and only the hurtled soldiers will receive the Crown of Glory!

Many times youth people have an incredible professional starting, increasing their self-confidence feed by the false pride! Keep in mind: if you are going to be showered with praise as a result, which is something at least! Failures are usual in the learning process of life! Even if you suffer the pain of be fired in your first job it means nothing! Do not look for excuses, self-justifications or even logical reasons! Perhaps they do not exist! Sometimes this is the best thing for us in order to value real important stuffs as such family life times.

In other hand, big fails at the beginning are not our professional death neither the finish of a big carrier! The majority of the human bens do not receive the acknowledging in short term basis. It needs too many years – perhaps more than 10 – to achieve a good skill professional level!

Therefore, you have a long homework to do! Start now! The end point of Tomorrow road is the Neverland Square! Do not postpone the main DECISIONS! Hodie et nunc! Today and now!

domingo, 22 de novembro de 2009

Assim se brigava antigamente

Fala galera, beleza?

Segue um relato de como era o casamento dos tempos que conheci de criança. Hoje que se fala em tolerãncia, qualquer briguinha vira caso de divórcio. Nunca vivemos em uma sociedade tão intolerante como a de hoje!
Abs

Armandão

Assim se brigava antigamente

--- Ô Ester...cadê a tua filha? Aquela mosca morta nem compra pão na padaria!
--- Totonho, você fez curso de chato por correspondência ou é graduado em Harvard? Vê se larga do meu pé! A tua filha ta em idade de sair por aí, divertir-se um pouco! Pelo menos tem o direito de esquecer que seu pai é louco!
--- Já vem você me rebaixar. Só por que eu não sou médico como o teu irmão Osmar! Quem mandou você me olhar? Eu não pude estudar e tive que agüentar 38 anos de Bradesco para sustentar o lar!
--- Vai começar a ladainha? Daqui a cinco minutos vai falar o nome de cada um da diretoria do banco que não enxergou o teu potencial... que você foi sempre preterido...ensinou os filhos dos diretores a trabalhar...que foi o primeiro nos cursos de treinamento...que perdeu várias oportunidades de deixar o banco, mas preferiu ser fiel ao patrão etc, etc, etc...Deixa de resmungar e toca a vida para frente!
--- O que é que você pensa? Com 73 anos vou voltar a trabalhar, enfrentar busão todo dia?
--- Então não reclama da aposentadoria! Homem em casa é pior que maionese estragada! Ou dá asia ou dá indigestão! Vai balançar o esqueleto por aí! Arruma um bico, vai à praia e corre, sei lá, entra num curso de fotografia para terceira idade!
--- Você gosta de me chamar de velho, mas não larga desse osso! Você é carne de pescoço! Você parou na minha desde que me viu pela primeira vez, lá na Vila da Penha!
--- Você se acha, meu bem! Olha a tua silhueta: barriguinha de cerveja, andar de corcunda, passos arrastados, breguilha semiaberta...vou botar um espelho tamanho natural no nosso quarto para você se contemplar! Aí você verá com seus próprios olhos a verdade nua e crua, que faz questão de não enxergar!
--- Quando você fica brava, fica mais bonitinha! Parece a tua falecida tia, a Alzira, que era doida para dar um chilique e cair nos braços do teu tio Waldemar aos prantos! Era tudo misancene! Mulher gosta de romance, de cena de novela das oito! Me engana que eu gosto, neném!
--- Você queria o que mesmo hoje para o almoço? Caviar? Não vai ter nem bife a role se essa conversinha continuar!
--- Bife a role é comida de office boy! Vê se faz uma bisteca, daquelas de lamber os beiços...afinal amanhã a gente faz 50 anos de casados!
--- Só Deus foi capaz de me fazer agüentar você! Urinando fora do vaso, fumando no nosso quarto, roncando à noite toda...mas ainda assim gosto de você! Sempre um bom pai, trabalhador...
--- Dessa vez não caio na tua! Não vou listar os teus defeitos! Para cada trejeito a mulher tem um truque perfeito! Chora não, coração!

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

rebelando-se

Fala galera, tudo beleza?

Segue uma poesia de revolta.

abs

Armandão

Partição

Quem quer parte
esquece o todo
ainda que parte
do mundo todo
não reparte
a felicidade que a cada um cabe

Quem quer tudo
se desfaz no muro
e ainda que mudo
se faz tolo
e permanece casmurro

Quem é forte
de peito aberto
enfrenta a morte
ainda que corte
com o gume da faca
a linha da sorte

Quem divide
ainda que vive
destrói a construção
e talvez revide
com a destruição
ainda que, embora, todavia
deixe nua a razão do coração.

sábado, 24 de outubro de 2009

Malandragem carioca

Fala Galera, tudo tranquilo?

Segue uma nova produção para animar o feriado!

Abs

Armandão

Nada haver
Conversa entreouvida entre 2 malandros esperando o 233 (dorr trerr trerr - pronúncia da probalha - ou doix treix treix – pronúncia da intelectualidade carioca), na praça Afonso Penna:
M1 – Tô cuma paradinha responsa pra tu!
M2- Qualé meu meu cumpade? Sai dessa lama, me tira fora dessa!
M1- Que isso, cara! É responsa merrmo! Tu vai ver a onça bebendo água, vai ficar na cara do gol!
M2 – Tu tá querendo ensinar o Padre nosso pro Vigário, seu otário? Eu sou espada, se liga na parada!
M1- Relaxa, merrmão! Tu ta entrando numa de novela da Globo! Comigo não tem rolo! É preto no branco! Escreveu num leu analfabetus est! É dinheiro cash, brou!
M2- Então desenrola esse plano...chega de tanto suspense, preto veio! Tu é que nem o Fluminense: quando num perde, é jogo zero a zero!
M1- Conhece a lei da gravidade? Tudo que sobe desce, tudo que é bom sempre aparece!
M2- Marr nessa idade? Com mais de trinta anos de praia, tu acha que eu vou cair nessa conversinha?
M1- Ih... ô cara! Qualé sangue bom? Tá ligado? Num fica bolado comigo que eu sou teu camarada! Eu sou um cara irado!
M2- Ô amizade, tu é maneiro marr tu vacila pra caramba! Tu é um tremendo bobina! Sempre enrolado! Eu não vou para na tua não!
M1- Pô, cara, ia desenrolar, marr ta chegando o 233, e vou ter que te deixar, neném!
M2 – Tu num vale um vintém! Marr tu é meu camarada! Vai na fé irmanzinho!
M1- Valeu muleque! Fui!

sábado, 10 de outubro de 2009

A alegria de servir

Tá difícil com essa nuvem que estacionou no Rio...

Segue uma composição muito bonita da poetisa Gabriela Mistral (Chilena)!!!
vlw!!!

abs

Armandão

A imensa alegria de servir

Toda natureza é um desejo de serviço.
Serve a nuvem, serve o vento, serve o sulco.
Onde houver uma arvore para plantar,
planta-a tu;
onde houver um erro para corrigir,
corrige-o tu;
onde houver uma tarefa que todos recusem,
aceita-a tu.

Sê quem tira
a pedra do caminho,
o ódio dos corações
e as dificuldades dos problemas.

Há a alegria de ser sincero e de ser justo;
há, porém, mais que isso,
a imensa alegria de servir.

Como seria triste o mundo
se tudo já estivesse feito,
se não houvesse uma roseira para plantar,
uma iniciativa para lutar!

Não te seduzam as obras as obras fáceis.
É belo fazer tudo
que os outros se recusam a executar.

Não cometas, porém, o erro
de pensar que só tem merecimento executar
as grandes obras;
há pequenos préstimos que são bons serviços:
enfeitar uma mesa.
arrumar uns livros.
pentear uma criança.
Aquele é quem critica,
este é quem destrói,
sê tu quem serve.

O servir não é próprio dos seres inferiores:
Deus, que nos dá fruto e luz,
serve.
Poderia chamar-se: o Servidor.
e tem seus olhos fixos em nossas mãos
e nos pergunta todos os dias:
- Serviste hoje?

Gabriela Mistral, poetisa chilena (1889-1957)

domingo, 4 de outubro de 2009

25 anos

Fala aí Galera, tudo tranquilo?

Coringão tá fazendo um papelão...

Segue uma poesia para dar uma animada nesse fim de semana nublado!

abs

Armandão

Ladeira acima

Um olhar rasteiro
Em jargão castelhano
“de telhas abaixo”
Só conduz a desilusão

Você hoje se olhou no espelho
E perplexo e meio vermelho
Percebeu que não tem mais 25 anos...

E daí?
Há tantas coisas por fazer:
aquele elogio que ainda se pode dizer;
aquele pedido de desculpas pendentes;
a mão que se pode estender;
um novo filho ou neto que venha a nascer;
um bom livro para ler ou reler...

Vale qualquer coisa contra a tristeza!
O cinismo da velhice é sinal de fraqueza,
Apesar de parecer ciência ou sinal de esperteza,
É preguiça mental de quem se entrega ao sono letal
no deserto gelado da solidão!

Ladeira acima,
Custa cada passo
Mas vale a pena viver
Ou melhor ainda reviver
Voltar a reinventar-se
Tornar a sonhar é livrar-se!

Imaginar-se no topo da montanha
É afastar-se da cama
da terrível trama
que nos arma a autocompaixão!

Haveria muita coisa a dizer
Mas o melhor é mexer-se,
fazer!
Quem faz do hoje o seu retrato
Não remexe no lixo do passado,
Não relambe velhos fracassos,
Nem acaricia antigas desilusões,
Não revive pequenas intrigas,
Não enumera pessoas inimigas...

Para frente e para o alto!
O muro do fracasso é elevado,
Mas pode ser superado,
Pensando nos bons momentos,
nos bons amigos,
nos bons rebentos que a vida nos proporcionou!

Se falta pouco ou muito,
não importa!
O importante é trancar a porta para o pessimismo
É sair da boca do abismo que se chama frustração!

Alguns minutos podem ser uma eternidade
para quem tem um grande coração!

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Salve o aluno batalhador!

E aí galera, tudo beleza?

Segue uma poesia tentando valorizar quem leva o estudo como trabalho profissional!

abs

Armandão

Trocado

O meu prezado, diz aí doutor,
Seja o lá o que você for,
Arruma-me um trocado faz favor!

Rapaz, você nem imagina,
Nem te conto minha sina,
Sou teu companheiro de dureza,
Fiz voto de pobreza
E virei professor!

Cometi esse erro funesto,
Fiz até concurso,
Eu confesso,
O meu ingresso foi honesto,
Mas vamos mudar de assunto
Pode ter gente ouvindo
algum jornalista no corredor!

Essa é a saída
Daquele quem nem entrou em cena
Que não tem um sobrenome bonito
Faz mestrado, doutorado...
E vira sofredor!

Sobreviventes do naufrágio da vida
entramos pela porta estreita...
foi muito duro de ouvir
“infelizmente você não tem perfil...”
O que diria o Henfil
Diante de tanta dor?

Dizem que quem sabe faz
E quem não sabe ensina
Mas você quase desatina
Quando vê um colador profissional de diretor!

Um sujeito deste no cume?
Não fuja da resposta
É você o culpado
Meu querido mestre
Ainda que o senhor deteste
E não permita que eu conteste
Você arrendou a nota deste falsificador!




Seria ele mais um enganador
Se o senhor de forma inconteste
o reprovasse naquele teste
Em que todo mundo colou?


Brincadeiras a parte
A vida tem a sua arte
E cedo ou tarde
por incrível que pareça
É provável que aconteça
Cai a máscara desse pobre coitado
outro dublê de executivo engomado
Com a cultura de Jornal Nacional
um espectador bem posicionado
Com um salário avantajado
Mas lá no fundo ele o sabe,
Mais um tremendo impostor!

Deus te pague meu querido mestre
Ainda que caiba a minha prece
Para que o senhor reveja suas teses
E de mais valor
Ainda que o nome não pese
ao estudante batalhador!

terça-feira, 15 de setembro de 2009

O engenheiro no inferno

Fala Galera, oi nois aí traves!

Segue uma piada que um amigo me enviou.

abs

Armandão

Engenheiro no inferno
Um engenheiro morreu e foi aos portões do céu. São Pedro analisou sua ficha e disse:
- Ah, mas você está no lugar errado. Aqui não pode ficar!
E o engenheiro, então, desceu aos portões do inferno e lá foi admitido. Mal havia chegado, o engenheiro ja estava insatisfeito com o nivel de conforto no inferno. Logo comecou a fazer projetos e várias obras e benfeitorias tomaram início. Pouco tempo depois, já havia no inferno ar-condicionado, banheiros reformados e escadas rolantes, e o engenheiro era um cara muito popular por lá.
Um dia Deus chamou o Diabo ao telefone e disse ironicamente:
- E então, como estao as coisas aí em baixo, no inferno?
O Diabo respondeu:
- Uma maravilha ! Tudo muito bem. Nós agora temos ar condicionado,
banheiros reformados e escadas rolantes, e isso sem falar o que este engenheiro está planejando para breve.
Do outro lado da linha, surpreso, Deus respondeu:
- O que?!! Vocês tem um engenheiro ai? Isso é um engano, ele nunca deveria ter descido para o inferno. Mande-o subir aqui, imediatamente.
O Diabo respondeu:
- Sem possibilidade. Eu gostei de ter um engenheiro na equipe, e continuarei mantendo-o aqui.
Deus, ja mais irritado, e em tom de ameaça:
- Mande-o voltar aqui, ou Eu tomarei as medidas legais.
O Diabo soltou uma gargalhada, e respondeu:
- Tudo bem. E onde você irá conseguir um advogado?

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Copacabana, princezinha do mar...

Fala galera, blz?

O glorioso em decadência é difícil de aguentar...

Segue uma crônica de um dos lugares de mais glamour do Rio antigo: Copacabana!

abs

Armandão

Solidão


Duvivier, recanto charmoso dos anos 50 em Copacabana...hoje já quase sem glamour devido à população que o circunda. Este cantinho de Copa, assim como toda quase toda a orla da praia mais famosa do mundo, abriga uma multidão de cidadãos aposentados, sem mais compromisso que jogar conversa fora e as andanças pelo calçadão da Atlântica.
Nesse contexto, enquadra-se perfeitamente o Bar do Adriano, ex-comissário da Varig que tendo apanhado uma grana no plano de demissão voluntária dessa companhia quase estatal – criada à sombra dos favores do Governo Federal -, abriu seu comércio com a ilusão de enriquecer facilmente como empresário do varejo...só os portugueses sabem da dura lide de microempresário, encostando a barriga no balcão para granjear seus lucros, sem direito a fim de semana - que dirá férias!
Típico cidadão carioca, dotado de boa prosa e sempre de bem com a vida, o pequeno empresário possuia alguns dons – principalmente o da simpatia – que lhe seriam fundamentais para sobreviver nesse ramo tão competitivo. Porquê tanta gente quebra no setor de alimentação, quando há sempre demanda por comida? É difícil entender...mas como em tudo na vida o sucesso está nos detalhes, que muitas vezes passam desapercebidos para os olhos de muitos, encardidos pela rotina do dia-a-dia.
Nosso encontro foi casual, uma vez que não tenho qualquer interface com o setor de alimentos. Na condição de inspetor de seguros, compareci ao seu estabelecimento para fazer uma vistoria prévia à contratação da apólice de incêndio, solicitada pelo banco do qual o mesmo é correntista. Cheguei, sentei e fui esperando a chegada do proprietário como de costume. Já estava preparado para o chá de cadeira e o mau humor do dono – na maioria das vezes, as pessoas detestam qualquer coisa que lhes faça sair da segurança de sua rotina...quanto mais pensar! Não deu cinco minutos e chegou o personagem:
--- Fala meu irmãozinho! Desculpe a espera. Acabei de chegar. Aceita uma água ou café?
--- Que é isso. Não tem problema, não. Se tiver uma mineral sem gás, agradeço.
--- Ô Maria, uma mineral pro ilustre!
--- Você tem o restaurante há muito tempo? – fui perguntando descontraidamente uma das questões daquele porre de questionário.
--- Faz uns nove anos, sabe. O que eu fiz eu não aconselho pra ninguém...Tinha um empregão como comissário da Varig, mas peguei o plano de demissão voluntária, o afamado PDV, e pus tudo aqui no restaurante. Foi uma loucura...mas estou sobrevivendo.
Graças a Deus a conversa começou a caminhar fora dos trilhos do formulário e ameaçava adentrar pelo extenso campo da filosofia do cotidiano...muito mais interessante que essa maçada de seguros!
--- Sabe duma coisa, meu amigo? Pra sobreviver no comércio tem que ter arte e sorte, assim como na vida! Eu cheguei pensando que era só oferecer comida percebi quão longe estava da realidade...
--- É mesmo? – perguntei convidando-o a estender sua palestra.
--- Não é mole, não! Aqui em Copa vive uma porção de aposentados, gente solitária...Muito mais que a comida em si, o serviço inclui a atenção e prosear com a gente...há muita solidão...
Suas palavras foram corroboradas pelas várias interrupções de anciãos que vinham espontaneamente puxar papo com o Adriano.
--- É duro chegar assim no fim da vida...solidão chega a matar!
--- Mas porquê você pensa desse jeito? Afinal a grande maioria da gente aqui tem condição financeira...
--- Mas não tem amigos pra conversar! E a família se esqueceu deles há bastante tempo...
Era uma realidade para a qual nunca tinha atentado. É verdade. Existe um exército de pessoas na Zona Sul, principalmente, com dinheiro, mas que padece de uma estranha solidão. Que maneira de se acabar os dias. Parece vingança da própria vida, que acerta as contas contra certos mitos modernos: curta a juventude no limite; tenha poucos filhos para poder dar um bom padrão de vida a eles...no máximo o casalzinho; cuide de seu corpo como se fosse imortal...Porém, a natureza é sabia, sempre voltando a recolocar o rio fora de madre em seu curso original. Quando nos deixamos iludir por essas máximas, a terceira idade é um desespero...A constatação de que a vida se nos vai e com ela a beleza e o vigor da juventude – quando não há um pano de fundo com algo de maior valor, quando não há o que os clássicos chamam de sentido para a vida – os dias transcorrem sem medo, contudo desprovidos de esperança! Sine spe nec metu – como diz o adágio latino! O preço de tranqüilizar a consciência com os sucedâneos do dolce fa niente – a alegria do animal bem alimentado em todas suas dimensões de besta – pode conduzir a uma tristeza profunda, ainda que arroupada pela cultura do bom burguês...
Não tinha jeito e, forçosamente, voltei a me ater às perguntas para terminar meu trabalho. Foi, talvez, a meia-hora mais valiosa daquele dia. Saí de lá com uma convicção profunda: O Vinícius de Moraes estava mais que certo quando dizia que “quem já passou por essa vida e não sofreu, sabe mais, mas sabe menos do que eu” . Afinal, completando a canção do poeta, “a vida só se dá pra quem se deu”!

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Difícil relação pais x filhos + psicólogos

Fala pessoal, tql?

Segue uma produção das antigas!

Abs

Armandão

Metamorfose


Saens Pena. O nome do poeta argentino é emprestado à praça mais charmosa e movimentada da Tijuca, que em troca o brindou com a taça da imortalidade. Penso que nem sequer o literato platino poderia antever tanto prestígio exatamente na nação vizinha, fazendo parte do coração dos cariocas.
A poluição das grandes cidades assemelha-se à alma humana, cuja tonalidade cinza não permite ver o interior. Na Saens Pena é um pouco diferente, pois ainda que encoberta pela vista das favelas, a Floresta da Tijuca insiste em emoldurar a vista da região, atenuando o espírito qual encontro de enamorados, desanuviando as agruras da realidade cotidiana cheia de claros e sombras. Os momentos de luz ajudam-nos a poder caminhar por entre a escuridão do dia-a-dia sempre a pedir um fio de esperança para continuar a viver. Vive-se de algo e para algo...empurrar com a barriga é medicina sem princípio ativo; é o comprimido de farinha que não cura e nem mata...é o viver por nada e para nada levando a um tédio de lascar!
Assim, alegremente, vegetava pela praça um subproduto da sociedade moderna, mais morto que vivo, apesar da juventude musculosa dos seus dezoito anos. O Fred, terceira geração de família portuguesa, sempre de bem com a vida, tendo fama de boa praça, sujeito pacífico e desocupado, deslizava pela existência com a suavidade da água sem deixar marca - nem para o bem nem para o mal, nem à direita nem à esquerda – tendo como objetivo último à camaradagem sem compromisso, vestindo a própria definição do gente boa. Não fazia mal a ninguém, mas sua boa vontade jamais ultrapassava a alegre prosa de roda de bar, onde a vida se resolve e os problemas se equacionam com simplicidade. Nestes círculos da mais pura filosofia da rua, sempre acompanhados pela cervejinha e da batucada, agrupam-se, sem distinção de qualquer gênero, os mais variados tipos da fauna humana, que conseguem superar o anonimato e obtêm quinze minutos de glórias desfiando proezas imaginárias e estórias de amoricos inverossímeis – quem conhece esses heróis na vida real não poderia imaginar da audácia desses contadores de vantagem, que só o podem fazer quando cruzam o limite da sobriedade. Sem platéia como somos diferentes! O espelho da própria alma não nos deixa mentir para nós mesmos sem um travo de fel...
Frederico Martins Ruas cursava o terceiro ano do segundo grau no São José, escola decadente, que outrora albergara nomes ilustres da sociedade local e até um ex-aluno chegara à presidência da República em passagem meteórica. Sua agenda se dividia entre as aulas, as freqüentes idas a Barra da Tijuca para a prática do surf, o tempo investido diariamente na academia – parte na sala de musculação e parte nas aulas de Jiu-Jitsu – e as incursões ao Barra Shopping. Sua boa inteligência, aliada a falta de exigência das escolas atuais, fazia com que o tempo dedicado ao estudo se resumisse ao comparecimento às aulas, poucas vezes complementado por trabalhos extraclasse. Assim, o Fred dispunha de grande parcela do tempo para ser investida nas areias, nos tatames e nas andanças pelo shopping. Resultado: sua cabeça era um fervilhar de idéias desconexas, sem uma direção consistente, adocicadas pelo jeitão bonachão e levadas daqui para lá pelo sabor agridoce dos sentimentos.
O terceiro ano do segundo grau representa sempre um pausa nas atividades normais, dada a proximidade do vestibular. Como a maioria de seus amigos, o Fred estava imbuído na difícil empreitada e tinha mirado alto: entrar na medicina do Fundão. Ficaram, desta sorte, reduzidos seus compromissos sociais e desportivos. Até sua namorada, a Priscila – estudante do primeiro colegial do Colégio Impacto, sentiu os efeitos da determinação do rapaz. Seu quarto estava repleto de fórmulas das matérias de exatas pelas paredes. Aos sábados à tarde o Machado de Assis passara a ser seu novo companheiro, pois era certo que a prova de literatura fatalmente incluiria um de seus personagens. Era uma mudança radical.
Lá por setembro, quando rompeu seu enlace de ocasião, foi a gota da d’água para as preocupações de Dona Assunção – porquê todo infrafilho tem uma supermãe? – raiassem a neurose. Descontente com a obstinação do filho, segundo seu juízo, resolveu intervir impondo ao rapaz um maior relaxamento e a introdução de uma nova amiga: Dra. Raquel – antiga amiga da mãe e psicóloga de prestígio no bairro.
--- Como pode um rapaz de dezoito anos, na flor da mocidade, estudar duas horas por dia? – indagava-se a progenitora.
--- Manhê, deixa disso, certo? Nunca vi mãe nenhuma reclamar porque o filho quer entrar em faculdade pública? Ou a senhora acha que o velho tá a fim de por a mão no bolso se pode economizar umas duas pratas?
--- Dinheiro não é tudo na vida, meu filho! Será possível que alguém deixa uma namorada como a Priscila, filha do Silva da padaria Lusitânia, por causa do vestibular?
--- Ora pois, Dona Assunção!– o recurso da troça era sempre usado para tirar a mãe dos eixos e eliminar sua intromissão indevida em vida alheia. Até a torcida do Flamengo sabe essa garota é sinistra. Só esse ano já esteve namorando uns dez caras do Impacto.
--- Você agora está ficando fundamentalista!
--- Não. De maneira alguma. Só estou aplicando o mesmo julgamento que a senhora faz das minhas primas do Leblon!
--- Não tem nada a ver comparar a Priscila com as desmioladas das filhas do Chagas!
--- Certo, certo...Bom acho que vou indo ao cursinho para aula de reforço de física.
--- Aula de reforço de física? Para vestibular de medicina?
--- Mãe, pela última vez, esta matéria tem grande peso no vestibular e não vou ficar refém dos teus caprichos! Já engoli esta tal de Dra. Raquel e basta. Não enche as medidas senão será o fim destas seções insuportáveis de análise que ligam o nada com o coisa nenhuma!
--- Você é um cabeça dura Fred...pior que o teu pai! Pode ir, mas não te permito faltar a psicóloga de jeito algum!
--- Tchau mãe..foi um prazer incrível desfrutar da tua companhia.
Sem dar tempo para contestação, bateu a porta e dirigiu-se ao elevador. Rumou para o colégio, ensimesmado por suas meditações. Seria possível que a corujice da portuguesa raiasse a loucura? Que havia de mal na pausa de certas atividades superficiais em prol de uma vaga na medicina do Fundão? Os argumentos da mãe, como costuma acontecer, eram desprovidos de qualquer racionalidade e continham traços indisfarçáveis de egoísmo e de ingenuidade maternas, procurando manter os filhos sob suas saias a qualquer preço! Mesmo a custo de um futuro profissional promissor! Santa ignorância. Normalmente, quando a família age desta forma, à primeira chance, os filhos pulam fora e não querem mais saber do excesso de proteção familiar, deixando os pais no último lugar das suas prioridades.
Lá pelas cinco e meia da tarde, a porta do apartamento abriu-se, tragando por sua abertura um extenuado vestibulando a procura de refrigério na geladeira repleta de Coca-colas. Sentou-se sem cerimônia na cama do quarto e abriu a apostila de biologia. Mal se recostou foi brutalmente interpelado:
--- Você esqueceu da consulta com Dra. Raquel às seis?
--- Aí meu Deus...tortura hoje não! Aquela coroa é uma mala! Me libera dessa, mãe? Fala sério!
--- Não tem choro nem vela. Pode ir descolando o busanfã da cama e pondo a calça! Vamos no meu carro.
--- Ta ok, mãe. Mas eu vou sozinho e de ônibus. É cinco minutos daqui pegando o 410. Não leva a mal Dona Assunção, a senhora dirige pior que o Barichelo!
--- Tá bem. Mas se você for assaltado o problema é seu!
--- Tchau mãe, te vejo no jantar! Vai com a Yolanda na liquidação do Tijuca Off Price e me deixa em paz!
Falou e foi saindo com aquela cara de mártir às portas da eternidade. Tudo bem...senão tem tu, vai tu mesmo – como diz o ditado. Era melhor enfrentar a fera por meia hora e ver-se livre da insanidade maternal. Ninguém morre por trinta minutos de papo furado – tentava consolar o rapaz ao entrar no consultório.
Depois da tradicional espera de uma hora – psicólogo pontual só se for na Alemanha -, foi anunciado pela secretária, digo melhor assistente – uma vez que as mulheres detestam essa alcunha que lhes desprovê de importância, segundo seu julgamento -, à doutora.
--- Oi Fred! Que camisa elegante! Tudo bem com você, meu queridinho?
--- Tudo...O Fred odiava essas melosidades, ainda mais advindas de anciã metida à coroa interessante.
--- Contes-me tudo e não me escondas nada, meu benzinho! Você reviu as suas posições a respeito da sua vida pessoal? Pretendes ficar pra titia?
--- Dona Raquel, quer dizer Dra. Raquel, vamos conversar sem diminutivos e ir direto ao ponto!
--- O meu neném está ficando maduro e cruzando a puberdade! Soube que as meninas estão de olho em você. É verdade?
--- Como a senhora bem reparou, já estou um homenzinho pra agüentar conversa de quarentona! Vamos aos fatos!
--- Não fique nervoso, meu amorzinho! Não se reprima. Como Freud ensinava é preciso dar vazão às energias interiores e liberar os instintos!
--- Dra. Raquel, se fosse liberar os instintos a senhora estaria no hospital a essa hora e eu na jaula! Por favor, vamos tornar esta entrevista tão agradável quanto possível!
--- Perdão meu gatinho? Como vai a Pri?
--- Chega Doutora! Por que a senhora não abre um Chat de encontros de namorados na Internet e fecha sua clínica? Daria mais dinheiro e não encheria o...
--- Rapazinho, é melhor você voltar ao Jiu-Jitsu na academia do Marcelo Teixeira! Lá você vai encontrar um belo lugar para aprender o autocontrole e dar vazão a sua grosseria.
--- Proposta aceita! Passar bem!
Apesar de certo aturdimento, quando cruzou a calçada da Satamini, o rapaz parecia ter se livrado de uma prisão mental e sua cabeça parara de latejar. Estava decidido. Esta foi sua última ida ao consultório da psicóloga e a partir daquela noite, juntou seus trapos, indo morar com a Avó paterna nas proximidades da Uruguai. Apesar da idade, a mãe do seu Arthur nem sequer sabia o que era psicologia, nem ouvira jamais falar em Freud, mas dispunha de um bom senso a toda prova. Lá teria um abrigo para poder estudar e superar os cuidados castrantes da mãe! Como diz o Erasmo, o velho tremendão: mãe você já fez a sua parte me pondo no mundo, que agora é meu dono mãe, e nos seus planos não estão você!
É Dona Assunção, quem tudo quer nada tem!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Mundo Competitivo

Fala Galera, blz?

Fim de semana um pouco triste com o Coringão tomando um toco do Flamengo...mas que há de fazer...Fogão descendo a ladeira...
Segue uma brincadeira sobre a competitividade pouco sadia dos ambientes de trabalho!!

abs

Armandão

Os Dez Mandamentos do Executivo Corporativo Neo-Liberal

1. Amarás a ti Mesmo sobre todas as coisas
2. Blindarás o teu nome de qualquer comentário vão
3. Trabalhar em Domingos e Festas
4. Desprezarás o convívio com a tua família
5. Não matarás o teu subordinado. Apenas dê-lhe mais responsabilidades com o mesmo salário
6. Nem terás men noção do que é castidade
7. Não pouparás o dinheiro alheio, principalmente o público
8. Usarás o falso testemunho para derrubar possíveis concorrentes
9. O que do próximo?
10. Não deixarás de ter nada que outro executivo tenha

domingo, 2 de agosto de 2009

Nova velha postagem

Fala Galera, Blz?

Segue a melhor crônica que acho que fiz!

Salve Cesar Cielo!!!!

abs

Armandão

Data venia

Não tinha conversa. Aquela aula de Direito Processual do Roldinei era pior que ressaca de whisky nacional. Entrava ano, saia ano, e ninguém conseguia transferir a espaço reservado para sexta à noite da mal afamada classe. E pior é que o Direito Processual percorria os quatro últimos anos, sem mudança de professor durante todo o curso. O Roldinei, ou melhor Dr. Roldinei de Bulhões – excelentíssimo Procurador Geral do Estado – alugara aquela vaguinha no horário e, jamais se ouvia dizer desde a fundação da UFF, que o supracitado dispensasse a chamada. Assim, só as gestantes – depois do sétimo mês, é claro – gozavam do abono de falta. Não era o nosso caso...marmanjos consagrados ao culto do deus Baco, aquele espaço seria perfeito para nossas oblações à divindade grega, cujo templo situava-se defronte a faculdade, mais precisamente no bar Dura Lex, sed lex. Como dizia o cartaz dependurado nas paredes descascadas do egrégio estabelecimento: A lei é dura, mas cede! Lá se encontrava o lugar perfeito para destilar a lei de seu caráter coercitivo, dando asas à flexibilidade de espírito.

No entanto, a rigidez do Roldinei era o principal obstáculo para que cumpríssemos nosso preceito semanal da cervejinha na sexta. Abaixo assinado, recurso junto à reitoria, tudo já havia sido tentado. No quarto ano – ou seja, quando cursávamos o Direito Processual III -, o Ramos, caixa do Banerj e companheiro de sala, tentou simular um ataque epilético no intuito de interromper a palestra do Dinei– como carinhosamente o chamávamos. Porém não obteve sucesso. A velha raposa, conhecedor de todas artimanhas provindas dos bancos escolares, sacara na hora a falsidade do ladino. Imperturbável, chamou o enfermeiro de plantão o Isac – um negão pra mais de metro, que no Carnaval ganhava um troco de segurança no Sambódromo . O Isac, que há anos prestava esse tipo de serviço ao corpo discente, aplicou uma tremenda benzetacil no Ramos – que não pôde nem sentar no banco do ônibus, durante todo o trajeto até Caxias, sua pátria natal.

No quinto ano a massa já estava à beira de uma revolta popular pela liberação da sexta, ainda que todo o processo corria no submundo do grêmio, longe das vistas de qualquer autoridade. O líder da revolta era o Carlinhos Scala, cuja alcunha já revelava um gosto confesso pela vida noturna. Popular entre as meninas por ser articulado e bronzeado de praia, o Carlinhos não era muito íntimo dos códigos e manuais. Seu desempenho sofrível era compensado pela especialização em leitura à distância de prova alheia. Enfim, era o perfeito líder para uma comunidade acadêmica à beira da ebulição.

Na semana do Sete de Setembro, famosa semana da paciência esgotada - ou semana do saco, como era mais conhecida -, em que os alunos extenuados pela exigência do curso de Direito instituíram por decreto como espaço vacante, íamos eu e Doca – ambos papa-goiabas – no fusqueta 69 da mãe dele, pela ponte rumo a casa do Scala, no Alto Leblon – onde a turma se confraternizaria em churrascada apoplética.

De repente, na altura do vão central – ponto mais alto da via – fomos emparelhados um BMW preto a mais de 120 kilometros por hora. Apesar da rapidez da ultrapassagem, distinguimos um coroa de óculos escuros, com a cara do Dinei, trajando uma camisa regata, como quem vai a direção de Ipanema. Nem hesitei e ordenei ao Doca:

--- Acelera essa lata velha Doca, que eu acho que é o Dinei! Ele tá indo pra praia. Vamos segui-lo!

--- Tá maluco, meu irmão! Nem que eu quisesse! Essa tralha aqui geme quando chega a 80!

Ia ser um tremendo furo! A glória da nossa dupla perante a turma. Mas com o fusca...projeto abortado. Justo hoje que a gente tinha trazido máquina para fotografar a festa, teríamos a chance de pegar o mestre com a boca na botija...Lamentavelmente, o BMW nos fez comer poeira e demos a idéia como falida. Contudo como todo mendigo tem um dia de rei na vida, o trânsito complicou-se mais adiante, perto da guarita da polícia, já quase na entrada da Francisco Bicalho. A polícia estava dando um blitz inesperada, pois o Jornal Nacional, durante toda aquela semana, noticiara que diversos cidadãos estavam dirigindo com suas documentos vencidos.

Fomos ordenados a parar pelo policial para checagem dos documentos do veículo e do motorista. Quando estacionamos, vimos um senhor discutindo acaloradamente com o guarda a dois carros do nosso..era o Dinei!!! Foi como se a glória do Céu se abrisse para nós dois e entrássemos pelo paraíso carregados por anjos! Nunca a sorte me sorrira com seus dentes tão brilhantes! O estupefato motorista da BMW não possuia aquele linguajar rebuscado e formal das aulas de Processo! Que data venia, Vossa Senhoria, que nada! Era daquilo pra baixo!!! Sorrateiramente – o Doca portanto a máquina, evidentemente - , aproximamo-nos para ouvir melhor a discussão e captar o melhor ângulo para foto. A situação estava ficando feia:

--- Olha aqui seu imbecil, sou Procurador Geral do Estado! Se tu implicares com os meus documentos vou te banir da Polícia!

--- Meu senhor, estou cumprindo minhas funções! De mais a mais, nem que fosse a Xuxa eu ia te dar mole! Quanto mais um coroa, metido à autoridade, vai me dar medo!

O ilustre Procurador ia colocar a mão no bolso para dar a tradicional carteirada no coitado do policial rodoviário, quando se ouviu o barulho do flash da câmera do Doca, acompanhado pelo clarão de luz! O mestre olhou para trás meio surpreso e ficou desnorteado quando nos reconheceu. A partir daí, esqueceu momentaneamente o guarda e dirigiu sua fúria para nós:

--- Olha aqui, seus dois bulhas, me dá essa câmera senão vocês nunca vão ver a cor do diploma!

--- Sem stress, mestre...relaxa! Vamos conversar com calma– falou o Doca, malandro acostumado as lides das duras negociações.

--- Não tem conversa com mau aluno! Passa pra cá essa câmera!

--- Vai devagar professor, o senhor pode ter um enfarte se essa foto aparece no Jornal Nacional... Já pensou a manchete na voz altisonante do Wiliam Bonner: Procurador do Estado flagrado por dois estudantes dando carteirada em policial rodoviário? Pode ser a ruína de uma carreira brilhante!

O coroa já dava mostras de seu nervosismo, sabendo que a ameaça podia significar o fim de seu sonho de Desembargador! Consciente disso, mudou subitamente o tom de suas palavras:

--- O Doca, você sempre foi um rapaz equilibrado – acentuou com mansidão em sua voz. Veja bem, qual a vantagem em prejudicar meu futuro profissional. ademais, eu posso indicar ambos para os melhores escritórios de Advocacia do país. Já pensaram numa carreira brilhante num escritório do porte do Pinheiro Neto, por exemplo... isto significa grana preta! Pensem bem!

Com o professor em nossas mãos, selei nossa proposta de acordo:

--- Caro mestre, agradeço a indicação desinteressada de sua parte, mas queria propor-lhe uma contra-oferta:

--- Diga lá, meu jovem! - soou a voz cálida do mestre.

--- Transfira sua aula de sexta para quinta, trocando com o professor de Civil e lhe entregaremos a foto, assim que vier o ofício da secretaria da escola confirmando a modificação do horário.

--- Isso não, seus abusados! Este horário é meu há mais de 18 anos!

--- Cuidado com o Bonner, mestre!

Como se pode imaginar, após alguns minutos de diálogo, o professor encurralado cedeu às nossas pressões. Porém, o mesmo só ficou tranqüilo quando lhe entregamos a foto e o negativo, após a oficialização do novo horário da disciplina como quinta-feira. Por vezes, o destino colhe nas mãos os fracos, e qual David, assestamos a cabeça do gigante com a pedra da sorte. Quem imaginaria que aquele velho emproado e cheio de si, caísse nas garras de desconhecidos alunos, cujos sobrenomes não emolduravam nenhuma das plaquetas dos escritórios mais afamados da cidade! Data venia amigos, algum dia na vida tem que ser o dia da caça!

sábado, 18 de julho de 2009

Poesia em defesa da vida

Fala Galera, Blz?

O Urubu está em reta de descida!!! A segunda vai ter VascoxFlamengo!!!

Que coisa o Ronalducho! Agora no estilo aviation!!!!

Segue uma poesia em defesa da Vida!

Abs

Armandão

Coragem

Obrigado mãe
Pela tua coragem
Eu pude ver a luz do dia

Obrigado mãe
Pelo teu amor
Hoje eu existo

Foi tanta gente que bradou e urrou
Todos eram contra mim
Mas você os venceu
E hoje eu posso respirar, brincar, sorrir!

Foram tantos vaticínios
Foram tantas as vozes de mau agouro
“Perderás a tua juventude”,
Diziam alguns
“Como te sustentarás a ti e ao teu filho, não sabes nada da vida,
és apenas uma menina?”
“Terá um triste fim a tua infância...”

Mas não deste ouvido
As vozes do inimigo
Que queriam acabar comigo,
Através de uma perversa injeção,
Ou sendo lancetado numa sala com ar refrigerado!

Ainda que eu não tivesse sido planejado,
Sou por ti querido,
Não sou fruto do acaso, nem um simples descuido.
Sou um fruto de Deus
Que você aceitou,
Protegeu, defendeu e acolheu

Se é verdade que eu compliquei a tua vida
Fui eu que te enchi de alegria
Fui eu que rasguei os teus horizontes,
Te fiz crescer no mundo dos adultos
Como um ser de personalidade,
Antes de qualquer coisa,
Uma filha de Deus,
E nessa hora tão difícil
Cercaste-me de carinhos
E me abraçaste como rebento teu!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

O valor do tempo

Fala Galera, tudo tranquilo?

Segue uma poesia para levantar o astral!

Abs

Armandão

Sobrevivento

Peguei o metrô no Flamengo
Pensando em descer no Centro...

Vai longe o meu pensamento
Vagueio por momentos alegres
Perco o tempo em lamentos:
E se eu tivesse feito? Tivesse falado? Tivesse calado?

Ao meu lado senta-se um senhor de idade
Os anos por si só não sabedoria
Comentei comigo mesmo
Julgando o dono daquele corpo surrado
Sem lhe conhecer a alma
Essência do homem
Que não grita, mas sempre fala
Normalmente sussurra....
Mas a juventude é pretensiosa
E ciosa da sua energia
Não pode parar
Precisar ferver, imaginar
Gastar as forças é a sua magia!

Estação Glória.
Desce o velho.
Senta ao meu lado um novo personagem,
É um celular sem fim de estórias,
Uma moça bonita...
Espaço aberto para uma bela vida...
Mas será que se concretizará?
Só o tempo, esse ativo tão precioso, é que dirá!
A garota tem tantos argumentos
Que é impossível acompanhar sua velocidade
Muda de cá para lá
São idéias cheias de vida, mas desconexas...
Por que será que as mulheres são tão complexas?

Mas não é que a alegoria do tempo
arrebatou o meu imaginário?
Quando dei por mim,
Tive que descer na Estácio
Foi um verdadeiro retrabalho!

Voltar na outra direção
Pode ser uma boa solução!
Agora ainda existe e vida é tempo real
Para lutas que valem a pena o intento!
Não deixe a sua passar como passa o vento!

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Para entender as fraquezas alheias

Fala galera, tudo beleza?

Empate suado no Mineirão! Coringão tricampeão! Nada mal!

Segue uma poesia sobre a compreensão!

Abs

Armandão

Minha vez

Amigo, não sei se o que digo
Pode ser entendido
Mas esta é minha vez

Quanto mais a gente cresce
A burrice nos envelhece
E nos enchemos de insensatez

O pior do já dito
É ter acontecido
Não existe o talvez!

Como desdizer o desdito?
O coração chega a suar frio por dentro
A gente fica aflito
Mas, infelizmente, já fez...

Só Deus pode perdoar o imperdoável,
Domar o indomável,
Curar a cupidez!

Agora sei que a minha franqueza
Muitas vezes não é virtude
Pois ao não ter em conta a gentileza
Apesar de andar com destreza
Só deixa poeira
Não preenche ninguém!

Não tenho atenuantes,
Que bom seria o como antes,
Antes não tivesse existido
Para não ter feito o que fiz
Para não ter falado o que falei,
Para não ter calado quando me calei,
Para não ter julgado a quem julguei...

A vida seria tão fácil sem o orgulho
Este velho ferrolho
que cega a mente
Quando entra em cena a altivez





Amigo, se assim me permites,
Sempre na vida chega esse dia
Quando não há mais remédio
Não há outra saída
eu peço pinico
Chegou minha vez